Disputas discursivas e educação empreendedora: a apropriação da BNCC por segmentos privatistas no ensino médio
DOI:
https://doi.org/10.18364/rc.2026n71.1503Palavras-chave:
educação empreendedora, BNCC, discurso privatistaResumo
Este artigo, que se origina da nossa pesquisa de doutorado, analisa a construção discursiva da educação empreendedora no contexto da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (BNCC-EM), com foco nos segmentos privatistas, particularmente a Fundação Lemann. A partir da Análise Cartográfica do Discurso, articulada a referenciais foucaultianos e à Linguística Aplicada de vertente discursiva, investiga-se como enunciadores alheios ao cotidiano escolar constroem efeitos de verdade que legitimam sua atuação sobre a escola pública. O corpus da pesquisa constitui-se de enunciados divulgados por atores institucionais privatistas entre 2018 e 2020. A análise evidencia estratégias linguísticas que produzem um ethos de autoridade, recorrendo ao uso da primeira pessoa do plural, à repetição de termos como “qualidade”, “protagonismo” e “equidade” e à articulação com instâncias decisórias, como o Conselho Nacional de Educação. Constatou-se que esses discursos não apenas promovem a inserção do ideário empreendedor no currículo público, como também deslegitimam a experiência e a voz dos profissionais da educação. Ao contrastar esses discursos com os de entidades da contraconduta, como ANPED e ANFOPE, observa-se uma interincompreensão estrutural. A pesquisa contribui para o debate crítico sobre a presença do capital privado na educação pública e reforça a importância de se problematizar a naturalização de discursos empresariais no campo educacional.
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