A cosmologia linguística de Dante: uma leitura da Quaestio de aqua et de terra
DOI:
https://doi.org/10.18364/rc.2026n71.1502Palavras-chave:
Dante Alighieri, cosmologia medieval, linguagem filosófica, aristotelismo, disputatio, natureza da terraResumo
Este artigo investiga a Quaestio de aqua et de terra de Dante Alighieri, texto pouco explorado no cânone dantesco, que aborda a disputa medieval sobre a forma e a posição dos elementos água e terra no cosmos. A justificativa reside na necessidade de reavaliar a obra como expressão de uma filosofia da linguagem embutida, na qual a argumentação cosmológica serve à elaboração de um discurso veritativo. O objetivo geral é demonstrar como Dante articula, por meio de uma linguagem precisamente construída, uma resposta ao problema físico-cosmológico, integrando autoridade filosófica, experiência sensível e revelação divina. A metodologia consiste na análise textual de leitura fechada, com ênfase na estrutura retórica e nos recursos argumentativos. O corpus é a própria Quaestio, confrontada com passagens da Commedia e de obras aristotélicas. O arcabouço teórico dialoga com estudiosos como Gilson (1949), Nardi (1967) e Corti (1983), que tratam do pensamento filosófico dantesco. Os resultados indicam que a Quaestio não é mero exercício escolástico, mas uma peça fundante de uma linguagem que aspira à totalidade do saber, unindo ciência, teologia e poesia.
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